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sociedade Beneficente Muçulmana de Londrina e norte do Paraná

Eid ul-Adha, “Festa do Sacrifício”

Eid ul-Adha, “Festa do Sacrifício” é uma ocasião islâmica que marca o fim do Hajj, ou peregrinação a Meca. Acontece no décimo dia do último mês do calendário islâmico (Dhu al-Hijjah). É celebrada pelos muçulmanos de todo o planeta em memória da disposição do profeta Ibrahim (Abrãao), em sacrificar o seu filho Ismail conforme a vontade de ALLAH.
Os muçulmanos de todo o mundo estarão em festa no próximo dia 6 de novembro de 2011, trata-se do maior Congresso Mundial de Fé, o Hájj, que é a peregrinação a Meca, o 5º pilar da religião islâmica. Para entendermos a importância deste período para os muçulmanos, vamos relembrar a história do profeta Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele), que é figura central neste grande evento, sob a ótica islâmica. Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) é conhecido como “Pai dos Profetas”, já que boa parte da cadeia de mensageiros veio de sua linhagem. Ele sempre teve uma firme crença monoteísta, tendo praticado e incentivado o culto ao Deus Único. E o pilar principal do Islam é a crença na Unicidade de Deus, de modo que o significado da palavra muçulmano é “aquele que se submete voluntariamente à vontade de Deus”. Essa firmeza na crença em Deus Único esteve no íntimo de Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) desde muito jovem, quando certa vez ele questionou seu pai e seus companheiros sobre as imagens para as quais eles direcionavam orações. Quando lhe responderam que o faziam por se tratar de uma antiga tradição familiar, Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) lhes disse: “Sem dúvida que vós e vossos pais estais em evidente erro” (Sura 21, 54). Quando seu pai e os demais lhe repreenderam por tal resposta, Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) deu um verdadeiro testemunho de fé: “Vosso Senhor é o Senhor dos Céus e da Terra, os quais criou, e eu sou um dos testemunhadores disso” (21:56).
Depois disso, quando não havia ninguém por perto, Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) destruiu todos os ídolos, com exceção do maior deles. Quando os politeístas viram o estrago, logo suspeitaram de Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele), evidentemente, e mandaram chamá-lo. Ao ser questionado sobre quem teria feito aquele estrago, ele respondeu: “Foi o maior deles. Interrogai-os, pois, se é que podem falar inteligivelmente” (21:63). Seus acusadores caíram em si e admitiram que seus ídolos não falavam, no que Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) sentenciou: “Porventura, adorareis, em vez de Deus, quem não pode beneficiar-vos ou prejudicar-vos em nada? Que vergonha para vós e para os que adorais, em vez de Deus! Não raciocinais?” (21:66-67). Enfurecidos, os idólatras tentaram queimar Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) atirando-o em uma fogueira, mas Deus o salvou retirando do fogo a propriedade de queimar, e sua pele ficou intacta, para espanto de todos: “Porém, ordenamos: Ó fogo, sê frescor e poupa Abraão” (21:69).

Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) foi desde pequeno, portanto, muçulmano, no real conceito da palavra. E mesmo com uma fé inabalável, Deus testou Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) em diversas ocasiões. Já em idade avançada, e ainda sem herdeiros, Deus lhe revelou que ele teria um filho com sua esposa, Sara. Mas passados alguns anos a promessa ainda não havia se confirmado. Diante disso, sua esposa permitiu que ele casasse e tivesse um filho com sua serva, Hajar. Dessa relação nasceu Ismael e, quando este ainda era bebê, Deus ordenou a Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) que levasse Hajar e seu filho a uma determinada região. Este local era Meca, na época uma localidade desabitada e desértica. O profeta deu tâmaras e água para Hajar e os deixou. Quando estava indo embora, Hajar perguntou por três vezes que lugar era aquele. Como não obteve resposta, perguntou se ele fazia isso por uma ordem de Deus. Diante da confirmação, ela resignou-se dizendo que Aquele quem dera a ordem não os abandonaria.
Quando as provisões acabaram Hajar desesperou-se e passou a temer pela vida do bebê Ismael, que chorava com sede e fome. Ela percorreu sete vezes o caminho entre os montes Al Safa e Al Marua, com esperanças de avistar água ou algum viajante que pudesse ajudá-la. Sem sucesso, e cada vez mais preocupada, ela olhou para Ismael, que batia os pezinhos na areia do deserto, e viu jorrar água por entre as pernas do menino. Ela correu até ele dizendo repetidamente que era preciso juntar a areia para formar uma fonte. Em árabe, “juntar” se fala “zam”, motivo pelo qual esta fonte, que jorra água ininterruptamente até os dias atuais, passou a ser chamada de Zamzam. A água atraiu os pássaros, que foram avistados por beduínos árabes. Eles se dirigiram para o local e, com a permissão de Agar, ali acamparam, dando origem à cidade de Meca. Na verdade, Deus já estava atendendo um pedido de Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele), que em suas orações suplicara a Deus que Agar e seu filho primogênito fossem encontrados por pessoas de nobre coração. E esses beduínos, de fato, os protegeram e acolheram da melhor forma. Anos depois, Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) teve um filho com sua esposa Sara, de nome Isaac, o que foi um novo milagre de Deus, devido à idade avançada do casal. De Isaac descenderam importantes profetas, como Moisés e Jesus. Já o profeta Muhammad foi originário da linhagem de Ismael (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre todos eles). ”Dize: Cremos em Deus e no que nos tem sido revelado, e no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às tribos; e no que foi concedido a Moisés e a Jesus, e no que foi dado aos profetas por seu Senhor; não fazemos distinção alguma entre eles, e a Deus nos submetemos” (2:136).

Como bom pai, Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) manteve contato com Agar e com seu filho em visitas constantes a Ismael. Em uma dessas visitas, Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) teve um sonho onde Deus ordenava que ele oferecesse Ismael em sacrifício em Mina, localidade próxima de Meca. Quando estava se dirigindo para lá, Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) foi tentado pelo Satanás em três locais diferentes para que desistisse do que ia fazer, sendo apedrejado nas três ocasiões com sete pedras. Na hora do sacrifício, Abraão relatou para o seu filho o sonho que teve, e Ismael disse a seu pai que cumprisse a determinação de Deus. Quando ele ia sacrificar o seu filho, provando mais uma vez a sua total obediência a Deus, o Anjo Gabriel apareceu e substituiu Ismael por um carneiro.
Em outra visita a seu filho, Deus ordenou que Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) e Ismael reconstruíssem um antigo templo erguido originalmente por Adão. Para que eles soubessem a localização exata, que foi onde se adorou a Deus pela primeira vez na Terra, Deus enviou uma pedra para demarcar o local e ali foi reconstruída a Kaaba. Deus então ordenou a Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) que avisasse ao mundo inteiro que todo o crente que tivesse condições deveria visitar este templo ao menos uma vez na vida.
A peregrinação se dá no 12º mês do calendário islâmico (lunar), o mês de Zul Hija, dois meses e dez dias após o fim do Ramadan, e sua obrigatoriedade recai para quem tem condições físicas e financeiras de empreendê-la. A maioria dos rituais praticados relembram os passos da família do profeta Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele), como percorrer por sete vezes a distância entre os montes Al Safa e Al Marua, tal como Agar, as sete voltas em torno da Kaaba, assim como o profeta fez com seu filho Ismael após a reconstrução, o apedrejamento simbólico do demônio em espaços determinados, conforme Abraão (Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre ele) realizou, e o abatimento de um carneiro, camelo ou boi, cuja carne é dividida em três partes: para os mais necessitados, para os vizinhos e o restante para o próprio fiel. Nesse momento, os muçulmanos celebram a Festa do Sacrifício (Eid Al Adha) em todo o mundo, cuja data este ano caíra em 27 de novembro, sendo a segunda festa do Islam – a primeira é a Festa do Desjejum (Eid Al Fitr), ao final do Ramadan.
A cada ano mais peregrinos participam do hájj, e no fim deste mês de novembro são esperados aproximadamente 3 milhões de muçulmanos em Meca e Medina, cidade que também é visitada pelos fiéis nesse período. O hájj é uma verdadeira convenção de paz e fraternidade, onde muçulmanos do mundo inteiro se encontram e se vestem da mesma maneira, praticam os mesmo rituais, sem distinção de cor, classe, etnia,
Forma de celebração
A comemoração, que lembra o sacrifício de Ibrahim, dura até quatro dias. No primeiro dia, homens, mulheres e crianças vestem as melhores roupas que possuem e realizam a salat (a oração) numa grande congregação.
Todos os muçulmanos que possuem meios econômicos devem sacrificar carneiros como forma de lembrar o acontecimento. Em alguns casos em vez de carneiros sacrificam-se bodes, bois e camelos. É condição obrigatória que o animal seja adulto e saudável. A carne que resulta destes sacrifícios é distribuída por familiares, vizinhos e pobres.
Os muçulmanos que vivem em alguns países em que a legislação estabelece que os animais devam ser abatidos em matadouros ficam impossibilitados de realizar este festival da forma tradicional, amenos de abater mesmo dentro dos abatedouros . Estes muçulmanos optam por fazer donativos a organizações que executam o sacrifício em seu nome e distribuem a carne entre os pobres de um país escolhido pelo doador.
Faz parte dessa comemoração, visitar amigos e familiares. Em algumas nações, por tradição cultural e não pelo Islam, algumas pessoas trocam presentes. Enquanto Eid al-Adha é sempre no mesmo dia do calendário islâmico, a data no calendário gregoriano varia de ano para ano desde que o calendário islâmico é um calendário lunar e o gregoriano é um calendário solar